O grupo de deputados membros do Gabinete Parlamentar da Juventude (GJP), escalado para trabalhar na zona sul do país, foi instado, nesta terça-feira, dia 16, no distrito de Vilanculos, a advogar junto do Governo pela revisão das políticas nacionais de emprego e habitação, apontadas pelos jovens como alguns dos principais desafios que afectam a sua emancipação económica e social.


Esta posição foi manifestada pelos jovens de Vilanculos, durante um encontro de trabalho que juntou os deputados membros do Gabinete da Juventude Parlamentar, o Governo do Distrito, o Conselho Distrital da Juventude, associações e cooperativas juvenis e jovens locais em geral.


O Gabinete da Juventude Parlamentar está na Província de Inhambane para fiscalizar o cumprimento das diretrizes aprovadas pelo parlamento, como é o caso da política nacional da juventude, bem como dialogar com os jovens e associações juvenis sobre diversos problemas que inquietam aquela camada social que ocupa quase 80 por cento da população moçambicana.


Durante o encontro, Henriques Simeão, jovem participante, defendeu a criação de políticas públicas mais eficazes para a geração de emprego, referindo que muitos licenciados permanecem sem oportunidades para aplicar os conhecimentos adquiridos e contribuir para o desenvolvimento das suas comunidades. Por sua vez, Ivan Tembe, Presidente da Associação de Escritores e Declamadores de Vilanculos, afirmou que as actuais políticas nem sempre respondem à realidade do país.


“Muitas associações juvenis enfrentam dificuldades para se legalizarem devido aos elevados custos da publicação dos estatutos no Boletim da República, situação que limita o acesso a linhas de financiamento”, disse Tembe, defendendo a implementação da Lei do Mecenato e a criação de mais espaços dedicados às actividades literárias e culturais.


O empreendedor Josué Vilanculos considerou que, além dos problemas de empregabilidade e habitação, outro desafio enfrentado pela juventude continua a ser a sua inclusão efectiva nos processos de tomada de decisão, bem como as elevadas tarifas fiscais aplicadas às pequenas e médias empresas.
Vilanculos defendeu, ainda, a necessidade de um combate cerrado à corrupção, como forma de facilitar a criação de emprego e promover o empreendedorismo juvenil.


Por seu turno, Paulo Huo apontou a falta de emprego e as dificuldades de reconversão profissional após a formação académica. “Estamos preocupados com a concentração da oferta formativa em determinadas áreas mas que não é absorvida pelo mercado de emprego muito menos por uma ocupação produtiva no pais”, disse Huo, para quem há necessidade de se reforçar o ensino técnico-profissional e o investimento na indústria cultural, onde existem talentos que carecem de oportunidades e espaços de actuação.


Falando sobre habitação, Huo referiu-se aos elevados custos dos materiais de construção, as dificuldades de acesso à habitação e a falta de informação sobre os programas governamentais destinados aos jovens, defendendo, por isso a premência de se melhorar a disseminação da informação pública, incluindo através da instalação de repetidoras que permitam maior acesso aos conteúdos governamentais.
Chamou também a atenção para os desafios relacionados com a alfabetização de jovens em algumas zonas do distrito e para a persistência das uniões prematuras, defendendo o reforço das acções preventivas.


Já João Parafino, jovem, lamentou o envolvimento precoce de alguns jovens no consumo excessivo de álcool e apelou à implementação de programas que promovam valores, empreendedorismo e a valorização da agricultura como fonte de rendimento, defendendo, igualmente, a necessidade de maior divulgação das bolsas de estudo disponíveis no distrito, de modo a ampliar o acesso dos jovens às oportunidades de formação.


Representando a Associação Raízes de Setembro, o agrónomo Gerson Sabonete reconheceu que o Estado não conseguirá empregar todos os jovens, mas sugeriu a criação de espaços agrícolas dotados de sistemas modernos de irrigação e de mecanismos que facilitem o acesso a insumos, permitindo que os jovens produzam e gerem os seus próprios rendimentos.


Por sua vez, Isac Macome, da Cooperativa Amigos do Ambiente de Vilankulo, destacou a falta de financiamento para projectos ambientais desenvolvidos pela organização, que actualmente depende das contribuições dos próprios membros para manter iniciativas de plantio de árvores fruteiras e de sombra, tendo solicitado todos o apoio possível tanto do governo assim como dos deputados e do empresariado privado para ampliar o impacto das acções junto de outros jovens.


Durante o debate, o Presidente do Conselho Distrital da Juventude, Jamaica João, sugeriu que o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FIDEL) passe a dispor de duas linhas de financiamento, uma destinada a novos empreendedores e outra para reforçar empresas juvenis já estabelecidas. Defendeu igualmente a expansão dos programas de terras infraestruturadas para jovens de baixos rendimentos, através de cooperativas juvenis e da criação de cadeias de valor.


Entre outras propostas, destacou a necessidade de uma legislação específica que promova o conteúdo local nos megaprojetos, permitindo que empresas lideradas por jovens possam prestar serviços, desde que beneficiem previamente de programas de capacitação.
“É preciso fortalecer as cadeias de valor ligadas ao turismo e à economia azul, incluindo acções de formação para pescadores e comerciantes com vista à redução das perdas de pescado e ao incremento do processamento local”, disse o presidente do CDJ.


Na ocasião, o Director Distrital da Área da Juventude, Justino Moisés, apelou para que o trabalho de sensibilização realizado nas escolas seja continuado nas comunidades, com enfoque na prevenção das uniões prematuras, da violência baseada no género e do consumo de drogas.


Encerrando o encontro, o Presidente do Gabinete Parlamentar da Juventude, Inocêncio Fani, incentivou os jovens a participarem activamente nos espaços de diálogo e a apresentarem as suas preocupações para que estas possam ser consideradas na formulação de políticas públicas.
Relativamente à indústria criativa, Fani explicou que a proposta da Lei do Mecenato já foi submetida à Assembleia da República, aguardando evolução do processo legislativo.


Fani defendeu ainda o envolvimento dos jovens na maior divulgação de programas governamentais como o FAIJ, o Agora Emprega e o FIDEL entre outros, através dos conselhos distritais e provinciais da juventude, para aumentar o acesso dos jovens às oportunidades existentes.


“Exortamos a todos os jovens que promovam apoio mútuo nas comunidades, desencorajando o suicídio e outras consequências da pressão social e académica, e apelou ao compromisso contínuo da juventude com a emancipação, o desenvolvimento e a construção do futuro do país”’ apelou Fani.
Ainda em Vilanculos, os jovens deputados mantiveram encontros com os jovens estudantes da Escola Superior do Desenvolvimento Rural, da Universidade Eduardo Mondlane, e dos empreendimentos frutos de iniciativas juvenis, bem como o projecto de terra infraestruturada iniciativa do Governo moçambicano. (GIAR)