O Presidente do Gabinete da Juventude Parlamentar, Inocêncio Faní, defendeu, neste sábado, 25 de Abril, a necessidade de maior investimento na saúde sexual reprodutiva como forma de garantir que as crianças e jovens moçambicanos cresçam saudáveis, informados e capacitados para contribuir de forma plena para o desenvolvimento do país.
Falando em Maputo, durante a Sessão de abertura do seminário sobre direitos e saúde sexual e reprodutiva, Fani sublinhou que investir na saúde sexual e reprodutiva é investir no futuro de Moçambique.
Para Faní, é, igualmente, fundamental, que se reforce o envolvimento das comunidades, dos líderes locais, das famílias e, em particular, dos jovens, como agentes activos na promoção da saúde sexual e reprodutiva.
“A mudança de comportamentos e de mentalidades passa, necessariamente, pela educação, pelo diálogo e pelo respeito pelos direitos humanos”, disse Faní para quem o seminário sobre matérias de direitos de saúde sexual e reprodutiva constitui uma oportunidade ímpar para reflectir sobre os desafios e avanços, partilhar boas práticas e, sobretudo, delinear estratégias concretas e adaptadas à realidade moçambicana.
O Presidente do Gabinete da Juventude Parlamentar explicou ainda que dados nacionais indicam que uma percentagem considerável de raparigas inicia a vida reprodutiva precocemente, o que tem implicações directas na sua permanência no sistema de ensino, na sua saúde e no seu futuro socioeconómico. “Este cenário exige de todos nós uma resposta firme, coordenada e multissectorial”, disse.
“O Governo de Moçambique, através do sector da saúde e em articulação com outros sectores, tem vindo a implementar políticas e programas com vista à expansão dos serviços de saúde para adolescentes e jovens, ao reforço da educação sexual, nas escolas e à promoção dos direitos reprodutivos”, disse Fani, ajuntando que mesmo assim é imperioso fortalecer a implementação destas políticas, para garantir maior cobertura, qualidade e equidade no acesso.
Por sua vez, Julânia Langa, Representante do Conselho de Coordenação da Rede de Direitos Sexuais e Reprodutivos explicou que o seminário visava fortalecer as capacidades dos parlamentares em diferentes áreas de intervenção na sua área de actuação, bem como para reforçar o espírito de trabalho conjunto com os diferentes parceiros.
“A ideia é a construção conjunta de acções concretas de seguimento para a melhoria do contexto nacional de direitos e saúde sexual e reprodutiva (DSSR), bem como a promoção, protecção e monitoria das leis e políticas”, disse Langa.
Para Julânia Langa, Moçambique enfrenta desafios estruturais na consolidação dos direitos humanos, agravados por desigualdades territoriais, fragilidades institucionais, crises climáticas, insegurança e, actualmente, pelo cenário de contínuos cortes de financiamento, em particular para a área de saúde, uma situação que segundo afirma, “assegura a necessidade contínua e reforço da promoção, prevenção e monitoria dos direitos humanos, com base na legislação e políticas nacionais e internacionais assumidas pelo país.”
O seminário, de um dia, foi organizado pela rede de defesa e promoção dos direitos sexuais e reprodutivos – Rede DSR, uma agremiação de várias organizações da sociedade civil, que surge como um movimento social da Sociedade Civil para a defesa e promoção dos direitos sexuais e reprodutivos, em particular das mulheres e raparigas. (GIAR)