A Comissão de Defesa, Segurança e Ordem Pública (6ª Comissão) da Assembleia da República defende a necessidade urgente de adoção de medidas eficazes de segurança no espaço cibernético, explicando que o crime cibernético não escolhe o alvo, empresas, instituições públicas e cidadãos comuns estão na mira de cibercriminosos que buscam o lucro rápido ou espionagem.

 A informação foi tornada pública, esta segunda-feira, 09, pelo Presidente da 6ª Comissão, Francisco Valentim Cabo, na sede do parlamento, em Maputo, durante a abertura de uma palestra sobre Crimes Cibernéticos e Segurança Cibernética, acrescentando que “a segurança cibernética não é apenas uma responsabilidade técnica, é uma responsabilidade de todos nós”.

 De acordo com o deputado Cabo, informações disponíveis indicam que mais de 60 por cento da população mundial está conectada à internet. “Ela deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a ser o ambiente onde vivemos, trabalhamos e realizamos as nossas actividades mais básicas”, sublinhou.

 “Essa conveniência digital tem um preço”, disse Cabo, destacando que “o cenário de ameaças evolui mais rápido do que podemos imaginar. Diariamente, somos alvos de tentativas de roubo de identidade, fraudes financeiras e o sequestro de dados. Crimes que não apenas geram prejuízos de triliões de dólares anualmente, mas que devastam privacidade e confiança pessoal”.

 Por seu turno, a Presidente da Comissão das Relações Internacionais, Cooperação e Comunidades (7ª Comissão) da Assembleia da República, Catarina Mário Dimande António, manifestou a satisfação pela realização do encontro, destacando a importância de aprofundar conhecimentos sobre o tema para melhor acompanhamento das matérias legislativas relacionadas com a segurança digital.

 A Presidente da 7ª Comissão sublinhou que a crescente evolução e utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) traz inúmeros benefícios para a sociedade, mas também aumenta os desafios ligados a incidentes e ataques cibernéticos.

 Segundo disse Catarina António esses ataques tornam-se cada vez mais sofisticados e podem causar prejuízos significativos à economia, à sociedade e à soberania dos Estados, acrescentando que diariamente milhões de ataques cibernéticos são realizados contra cidadãos, infraestruturas críticas e redes a nível global através da internet.

 “Esses ataques afectam sectores públicos e privados, a academia e a sociedade civil, expondo dados e informações sensíveis de pessoas e instituições do Estado”, sublinhou a Presidente da 7ª Comissão.

O evento tinha como objectivo capacitar os deputados para que tenham conhecimento de causa no processo de análise e produção de parceiros sobre os projectos de leis de segurança cibernética e crimes cibernéticos submetidos ao Parlamento pelo Governo.

Durante os dois dias, os deputados terão informações sobre a importância da cultura de prevenção, o uso de senhas seguras, a identificação de golpes cibernéticos e a necessidade de adotar uma legislação atinente a esta matéria, entre outros aspetos, bem como ferramentas necessárias para promover “uma reflexão profunda sobre como podemos proteger o nosso património digital”.(GIAR).