O Presidente do Parlamento Pan-Africano, Chief Fortune Zephania Charumbira, reuniu-se, esta quarta-feira, dia 27 de Agosto, na Cidade de Maputo, com os líderes comunitários, um encontro que marcou um passo importante no diálogo entre a instituição parlamental continental e as comunidades locais.
Charumbira, que também é chefe tradicional no Zimbabwe, descreveu a estrutura de liderança tradicional em seu país, explicando que a liderança tradicional é uma entidade formalmente consagrada na Constituição do Zimbábue e o sistema é composto por três níveis distintos, designadamente os chefes, os vice-chefes e os líderes de aldeia.
“Sou um autêntico chefe tradicional no Zimbabwe e possuo uma jurisdição sobre um território na região sul do país”, afirmou Charumbira, sublinhando que os chefes tradicionais desempenham um papel fundamental e não se opõem ao governo.
Segundo o Presidente do Parlamento Pan-Africano, os chefes tradicionais são vistos como uma parte intrínseca da estrutura governamental, detentores da “autoridade original” que existia antes da colonização britânica.
Charumbira destacou que os líderes tradicionais se organizam em assembleias provinciais, cada uma presidida por um chefe, acrescentando que o sistema parlamentar do Zimbábue também inclui a representação direta dos chefes tradicionais para garantir que os interesses e costumes locais sejam defendidos e salvaguardados.
O encontro de Maputo, organizado pelo Secretário de Estado, Vicente Joaquim, teve como foco o reconhecimento da importância das autoridades tradicionais e o fortalecimento de seu papel na sociedade.
Na sua intervenção de boas vindas ao ilustre visitante e sua comitiva, Joaquim destacou a importância da visita do Presidente do Parlamento Pan-Africano a Moçambique, classificando-a como um símbolo da união africana.
“A sua presença entre nós transcende a formalidade institucional, é um símbolo vivo da união entre os povos de África, do poder da representatividade e da força das vozes comunitárias”, afirmou o Secretário de Estado da Cidade de Maputo.
Ele ressaltou que o progresso real nasce da cooperação e do reconhecimento das realidades locais, tendo vincado que a visita reforça as pontes entre as instituições continentais e as comunidades.
Por seu turno, o Coordenador-Geral dos Líderes Comunitários, João Mahotas, expressou a profunda gratidão do grupo pela oportunidade de interagir com o Presidente do Parlamento Pan-Africano, salientando o valor do reconhecimento concedido às autoridades comunitárias, que estão alinhadas com a Constituição da República de Moçambique, buscando a valorização da identidade, das tradições e dos valores culturais.
Segundo Mahotas, os líderes comunitários são “bibliotecas vivas”, guardiões dos valores e das práticas ancestrais, comprometendo-se a continuar a promover os valores como o amor, a paz e o respeito mútuo para fortalecer a coesão nacional.
A visita Presidente do Parlamento Pan-Africano a a Moçambique reforça a importância dos líderes tradicionais em todo o continente, um tema central na agenda do Parlamento Pan-Africano.