O 1º Vice-Presidente da Assembleia da República (AR), Hélder Ernesto Injojo, afirmou que a liderança transformacional na perspectiva de género é mais do que uma abordagem de gestão, “é um compromisso ético e político com a mudança social, com a inclusão e com o empoderamento”.

Falando, este sábado , dia 24, em Maputo, na abertura do seminário sobre a Formação em Liderança Transformacional na Perspectiva de Género para Mulheres Parlamentares, Injojo acrescentou que “é o assumir de uma postura crítica e emancipatória face às estruturas patriarcais ainda prevalecentes na nossa sociedade e nas nossas instituições, em particular”.

Segundo o deputado, ao capacitar as mulheres parlamentares para reconhecer, analisar e intervir sobre as práticas pessoais e institucionais que perpetuam desigualdades, o parlamento está se a preparar o terreno para políticas públicas mais justas, representativas e eficazes.

“Estamos a fomentar uma nova cultura política, de equidade, de diálogo e de resultados assentes em princípios e valores de justiça social”, frisou o 1º Vice-Presidente da AR, encorajando a cada uma das participantes a assumir a formação como um espaço de auto-reflexão, partilha de experiências e construção de alianças e novas ideias, no caminho de uma sociedade cada vez mais justa, equitativa e equilibrada.

“Que os conhecimentos adquiridos aqui se convertam em acções concretas nos vossos círculos, quer sociais, profissionais, comunitários ou eleitorais”, disse Injojo, apelando as participantes para que cada iniciativa legislativa, intervenção no desempenho das funções como parlamentares, fiscalizadoras de políticas públicas, traga consigo a marca da sensibilidade de género e da liderança transformadora.

Por seu turno, a Presidente do Gabinete da Mulher Parlamentar (GMP), Maria Marta Mateus Fernando Zalimba, disse que a formação em liderança transformacional na perspectiva de género constitui uma iniciativa estratégica que visa não apenas o empoderamento individual de cada mulher parlamentar, mas também a construção colectiva de uma cultura política mais inclusiva, equitativa e sensível às questões de género.

“Acreditamos que, ao reforçar as competências das mulheres parlamentares, estamos a promover uma governação mais justa, representativa e próxima das reais necessidades das nossas comunidades”, sublinhou Zalimba para quem, com esta formação, espera consolidar capacidades que potenciem uma liderança mais consciente, ética e transformadora, capaz de influenciar positivamente os processos legislativos, de fiscalização e de representação.

Já a Representante da ONU Mulheres em Mocambique, Marie Laetitia Kayisire, afirmou que a formação tem lugar num momento particularmente importante para a agenda de igualdade de género. “Em 2025, celebramos os 30 anos da adopção da Declaração e Plataforma de Acção de Beijing, um compromisso histórico que continua a ser o mais abrangente e progressista instrumento internacional para a promoção da igualdade de género e dos direitos das mulheres”, vincou.

Kayisire frisou que esta formação é a continuação ou começo de uma caminhada conjunta. “Estamos disponíveis para partilharmos saberes e vivências, identificando caminhos para ultrapassarmos todos os desafios e celebrarmos conquistas na nossa caminhada comum rumo a um mundo de igualdade entre homens e mulheres”, frisou a Representante da ONU Mulheres em Mocambique .

A formação, de um dia, visava capacitar as mulheres parlamentares para assumirem o estilo de liderança transformacional no exercício das suas funções de representação, legislativa e fiscalização como estratégia para a promoção da equidade de género e empoderamento da mulher para uma maior participação nos processos de liderança e tomada de decisão.

O evento, organizado pela AR em parceria com a Representação da ONU MULHER em Moçambique, reveste-se de um significado peculiar, pois insere-se numa perspectiva de continuidade dos esforços que Moçambique tem vindo a empreender na promoção da igualdade de género e no reforço do papel da mulher na liderança e tomada de decisões.